Você conhece a Pedra do Sal, Jardim Suspenso do Valongo, Cais do Valongo, Largo do Depósito, Cemitério dos pretos novos, Lazareto? Esses pontos são só alguns lugares onde há presença da cultura negra carioca, remetem a dimensão da vida dos africanos aqui chegados e seus descendentes, criando uma identidade cultural.
No século XVIII, o ponto de desembarque dos
negros trazidos da África era o Porto da Praça XV, na Praça Imperial, porém a
alta sociedade carioca também frequentava o mesmo lugar e não queriam que o
tráfico de escravos fosse tão visível, além do medo de contrair alguma doença.
Com isso, os navios foram transferidos para a região dos Valango, já que não
era urbanizada.
Tudo acontecia nessa região: os navios
negreiros aportavam no Cais do Valongo, aqueles que não sobreviviam à viagem e
não tinham sidos jogados alto-mar, eram enterrados no Cemitério dos pretos
novos em valas comuns, recebendo tratamento indigno. Os que estavam doentes
eram levados ao Lazareto onde recebiam cuidados com a finalidade de estarem
prontos para serem comercializados, os que chegavam bem aqui iam direto para o
Mercado do Valango para serem, enfim, comprados.
Na virada do século XIX para o século XX os
escravos já ocupavam as áreas urbanas prestando serviços como cozinheiros,
porteiros, pedreiros e afins. Os negros vindos da Bahia e do Vale da Paraíba,
chegaram ao Rio de Janeiro procurando trabalho. Com isso, casas simples,
espaços de comércio e convívio, centros religiosos e casas para que pudessem manifestar
sua cultura de forma livre foram feitas e o local tão conhecido como Pedra do
Sal, virou um ponto de resistência, celebração e encontro.
A Região Portuária, Bairros da Saúde, Gamboa
e Santo Cristo viraram uma pequena África, criando uma identidade cultural. A
antiga escola da Freguesia de Santa Rita, posteriormente o centro Cultural José
Bonifácio é, atualmente, o Museu da História da Cultura Afro-Brasileira –
MUHCAB. Lá é a educação e cultura é o instrumento de libertação da ignorância;
é um espaço onde você encontra um pouco da cultura negra.
Após as obras do Porto Maravilha, depois de
escavações, foi ressaltada a necessidade de estudos sobre a compreensão do
processo da história africana e sua contribuição para a formação da sociedade
brasileira. Dessa forma, o Decreto Municipal número 34.803 assinado no dia 29
de novembro de 2011 criou o Circuito
e do Grupo de Trabalho Curatorial do Circuito Histórico e Arqueológico da
Herança Africana a fim de elaborar políticas de valorização da memória e
proteção como patrimônio histórico.
E ai, ficou curioso para fazer esse passeio e
conhecer um pouco da trajetória e da nossa da cultura que herdamos do povo
africano que desembarcou nessa Cidade Maravilhosa? Dica: Então, assim que esse momento, onde é
necessário preservarmos uns aos outros ficando em casa, acabar, embarque nessa
viagem maravilhosa de conhecimento com uma aula-passeio.
#OUÇAAVOZ

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