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Origem do Samba


A origem da palavra “samba” ainda gera controvérsia em vista de sua etimologia. Alguns estudiosos concluíram que vem de semba,do quimbundo, uma língua banta* falada no Noroeste da Angola com o significado ao pé da letra “umbigada”. Outros creem que se originou do umbundo, samba, outra língua banta africana, que significaria “estar animado”.

* As línguas bantas ou bantu formam um ramo do grupo benue-congolês da família linguística nígero-congolesa, com mais de 600 línguas. São faladas sobretudo nos países africanos a sul do Equador, por cerca de 300 milhões de pessoas. (Wikipédia)

 

Os africanos trazidos ao Brasil em regime de escravidão tinham, obviamente, muita dificuldade em manifestar sua cultura, religiosidade e festividade, muitas vezes envolvendo os batuques típicos de suas regiões naturais. Começando lá Bahia, no Recôncavo Baiano, grupos de escravos se mantinham em rodas para celebrar seus costumes.

 


Batuque Johan Moritz Rugendas


 

Após a abolição da escravatura, em 1888, muitos ex-escravos, agora livres, vieram para o Rio de Janeiro, então capital do Brasil, tentar um meio de conseguir seu sustento e de duas famílias.

O preconceito nas ruas do Rio era grande, as manifestações culturais dos negros também não eram vistas com bons olhos pela classe elitista da cidade.

Porém, no cenário da “Cidade Maravilhosa” uma junção de ritmos e músicas, dentro das “casas das tias”, falaremos delas em breve, começaram a tomar forma e som, o nosso tão conhecido: samba.

A primeira vez que um jornal citou samba como ritmo musical foi em 03.02.1838, no periódico “O Carapuceiro”, em Recife – PE. O Frei Miguel, responsável pela publicação, criticou o barulho que faziam, e o mesmo Frei Miguel em 12.11.1842 publicou na mesma revista:

“Aqui pelo nosso mato

Qu’e estava então mui tatamba

Não se sabia outra coisa

Senão a dança do Samba”

 

A publicação é considerada um dos muitos marcos históricos do Samba.

Voltando à casa das tias, com a vinda de muitos escravos para o Rio de Janeiro, capital imperial a partir do século XIX, a aglomeração de escravos acelerou o processo de manifestações religiosas, culturais e festivas. Ritmos como polca e maxixe foram englobados na zona musical e dando início aos acordes e musicalidade do conhecido samba.


Tia Ciata


As manifestações culturais do povo preto eram marginalizadas, as danças religiosas, seus pontos e adorações advindas do conhecido candomblé, assim como sua arte, capoeira e tradições.

A casa das tias eram lugares onde as matriarcas, ex-escravas, viviam e tinham seu sustento por meio de muitos fazeres como, por exemplo: artesanato, costura, quitutes etc. Situadas em lugares consagrados no Rio de Janeiro, como a Pedra do Sal e a Praça IX. Lá, elas abrigavam muitos pretos livres com dificuldade de sobreviver na nova perspectiva “livre”, em uma cidade com muito preconceito racial. Mantinham em seus em seus lares a herança africana viva e tão importante para o Brasil.

As festividades, adorações e a alegria aconteciam em seus quintais e abriam espaço para as rodas de samba, ritmo que contagiaria todo um povo no século seguinte.

No Brasil, consideram como o primeiro samba a ser gravado, em 1917, por Mauro de Almeida e Donga a canção chamada: “Pelo Telefone”. Porém já vimos que o ritmo já havia sido noticiado em revista, muitos anos antes.

“Tomara que tu apanhes
Pra nunca mais fazer isso
Roubar amores dos outros
E depois fazer feitiço.
Ai, a rolinha / Sinhô, Sinhô
Se embaraçou / Sinhô, Sinhô
Caiu no laço / Sinhô, Sinhô
Do nosso amor / Sinhô, Sinhô”
(Pelo Telefone)

Apenas no começo do século XX que o samba foi sendo aceito pela classe dominante e legitimadora de cultura, assim, reconhecido como estilo musical. Vagarosamente pelos anos, o samba foi entrando nos bailes da elite e a passos curtos foi se aproximando do Carnaval com as marchinhas, com o samba-enredo e hoje, com essa imensa representatividade e reconhecimento em todo o Brasil.

“Será que já raiou a liberdade
Ou se foi tudo ilusão
Será, oh, será
Que a lei áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada
Não foi o fim da escravidão”
(Samba Enredo 1988 - 100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão -G.R.E.S. EstaçãoPrimeira de Mangueira – RJ)

 

                                                             #OUÇAAVOZ


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