Linguística
é a língua considerada como estrutura. Os aspectos abordados pela Linguística
são: fonético, morfológico,
sintático, semântico, social e psicológico.
Dessa forma não apenas a estrutura gramatical
da língua é analisada, como também os referentes e os paradigmas que a
linguagem nos proporciona.
Pensemos de maneira prática sobre os signos (palavras) e seus significados (conceitos) e significantes (associação do
significado na nossa mente).
Pense em uma árvore!
Qual das árvores, automaticamente, você
imaginou?


A
referência que fazemos na nossa mente é psíquica e tem a ver com a representação que fazemos dos signos; tais representações influenciam
nossos discursos no decorrer da vida. Talvez você não tenha pensado em nenhuma
dessas imagens de árvore.
Então
qual árvore é a certa? Qual imagem eu deveria associar para ser correto? Não há
resposta para isso, pois o leque está aberto para inúmeras possibilidades de
acordo com nossas experiências empíricas.
Com
a noção desse processo conceitual, que tal agora compreender o que é preconceito linguístico?
A
língua que falamos é uma língua viva e sujeita alterações no decorrer no tempo.
Algumas regiões do Brasil têm formas diferentes de interagir com o uso da
Língua Portuguesa. Algumas palavras são mais usadas em determinados
lugares e, por vezes, em outro ponto do país, possa ser que ninguém reconheça a palavra ou
expressão. A explicação dessa diferença está no conteúdo de variação linguística, clique e veja as possibilidades de uso de uma mesma língua.
A
questão social, econômica e cultural também causa um grande impacto na
disseminação de preconceito com a maneira que a pessoa, que sofre retaliação,
fala ou escreve. Quanto mais longe da norma culta o falante estiver, maior será
a crítica (e até o rebaixamento intelectual) dele.
O
preconceito linguístico no quadrinho aparece presente pela forma que o Chico
Bento se comunica, lembrando que o papel
da linguagem é trazer ao locutor e interlocutor a comunicação, ou seja, a
compreensão da mensagem.
Nosso
patrimônio cultural, aquele que aprendemos no nosso meio familiar, escolar e
através das relações que fazemos no decorrer da vida, ficam expostos na nossa
forma de nos comunicar. Essa concepção de patrimônio cultural, historicamente,
é marcada pela elite econômica, dessa forma, legitimando o que é passível de
cultura ou não.
Obs.: Todas as formas de arte, de comunicação, de expressão de sentimentos e fazeres sociais são cultura. Independente da legitimação por instituições ou pessoas.
Analisando
o quadrinho do Chico Bento, que ele, o Chico, não percebe que a professora está
corrigindo sua fala, ele compreende que ela está repetindo sua pergunta. Pode-se
notar que o Chico compreende o português correto, porém se manifesta através da
língua vulgar, aprendida e assimilada
por seus contatos e patrimônio cultural.
Perceba
que a comunicação foi alcançada, pois apesar da professora criticá-lo pelo mau
uso da língua, ela também consegue compreendê-lo. O papel da escola e do Profissional
da Educação é trazer o aluno o mais próximo possível da sua língua mãe. Porém
não é passível de retaliação a não compreensão do uso da linguagem como um
todo. Ou seja, perceber onde o aluno está inserido socialmente e, com paciência,
mostrar-lhe a forma devida da língua de
acordo com a norma culta, esta será utilizada para seus estudos acadêmicos
e institucionais, melhorando a compreensão geral de textos e comunicação com
vários setores sociais.
Lembre-se,
que caso queira corrigir alguém de forma construtiva, faça sempre de maneira a
não deixar a pessoa constrangida. Do
contrário, é melhor que não o faça.
“Todo
falante nativo de uma língua sabe essa língua. Saber uma língua, no sentido
científico do verbo saber, significa conhecer intuitivamente e empregar com
naturalidade as regras básicas de funcionamento dela.”
(Bagno,
Marcos. Preconceito Linguístico, Ed.
Loyola, pg 33 – Ano 2007 )






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