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Análise do Discurso

Análise do Discurso

Não há discurso neutro, todo discurso produz sentidos que expressam as posições sociais, culturais ideológicas do sujeito da linguagem.”
(Brandão)
 
Análise do discurso é um campo da linguística e da comunicação que consiste em analisar o enunciado de acordo com o uso da Língua e também com a materialidade presente no ato da fala. Analisar um discurso está além de critérios gramaticais, mas também, sociais, históricos e socioeconômicos de um sujeito pelo seu ato de se comunicar. Ou seja, a Língua é um meio para conseguirmos expor nossos pensamentos, por isso que a análise do discurso vai além da sintaxe estrutural da Língua, mas também do aspecto abstrato de referência do indivíduo.
 
Pois veja bem, em Análise do Discurso temos algumas características como:
 
- Ideologia (É a utilização da língua para expressar falas, textos verbais ou não-verbais de acordo com um contexto político-social, ou seja, em que período histórico o sujeito estava inserido para praticar tal discurso.)
Obs.: É importante salientar que quando falamos sobre ideologia no contexto do discurso, não estamos nos referindo a ideologia político-partidária, e sim ideologia de representação dentro do consciente e inconsciente, que geram nossos valores e convicções que expressamos por meio de discurso.
 
- Interdiscurso (O interdiscurso é quando um ato de comunicação se envolve com outro, dessa forma surgem as convergências e as divergências, porém para um discurso nascer, outros discursos estão presentes. Não existe discurso que venha do zero, todos os discursos intervém por meio de outros).
 
- Dialogismo (Relação de sentido entre dois enunciados, uma conversa por exemplo).
 
- Polifonia (São as várias vozes em um discurso. Quando, por exemplo, alguém dá uma palestra usando referências de outras pessoas. É importante lembrar que a polifonia pode ser voluntária ou involuntária).
 
Alguns pensadores, filósofos e linguísticas foram muito importantes para que a Teoria da Análise do Discurso e a Análise Crítica do Discurso, alguns deles foram: Michel Pêcheux, Michel Foucault, Norman Fairclough, Lacan, Karl Marx, Michael Bakthin, Louis Althusser, Oswald Ducrot, Roman Jakobson.
 
è Para mais detalhes sobre as referências dos nomes acima, envie-nos um e-mail solicitando as informações.
Prof. Tesla (teslinha25@gmail.com)
Prof. Thaísa (t.blanco87@gmail.com)

 
A análise do discurso ganhou força para os estudos linguísticos no entorno de 1960, sendo então, uma disciplina nova para área acadêmica. Porém, não menos importante e com um poder incrível para analisarmos e conseguirmos compreender determinados aspectos muito importantes em um discurso, como:

a)    Interdição  ( O que pode ser falado x o que NÃO pode ser falado)
O assunto que será falado em determinado lugar como, por exemplo, em um grupo de amigos, pode não cair bem dentro de uma missa. Essa ideia de saber o que falar e onde falar está no critério de interdição.
 
b)    Separação/Rejeição (Quem pode falar? Autoridade de discurso)
Quando falamos da variação de quem pode falar determinada coisa, falamos de papel de autoridade o discurso ou representação. Por exemplo: o padre quando fala durante a missa tem a missão e representação da palavra. 
A sua mãe quando manda você arrumar seu quarto, também tem. Hehehe.
 
c)    Oposição entre verdadeiro x falso (Validação do discurso – poder na sociedade)
A validação do discurso tem a ver necessariamente com o contexto histórico, econômico e social de um grupo/sociedade em aceitar e acreditar naquele discurso, em procurar e ter vontade de saber sobre o que é dito.
 
Prof., o que é local de fala que tanta gente fala na internet?
 
De acordo com a Análise do Discurso, cada um enuncia (fala) a partir de posições que são historicamente constituídas. Então digamos que existe aqui uma mulher, vamos dar um nome pra ela: Elena.
Agora vamos contar a história de Elena.
Elena é mãe de duas crianças, é casada com Rodolfo. Trabalha como supervisora de equipe em uma empresa de marketing e é subordianda ao gerente do escritório. Elena também faz faculdade à noite.
 
Vamos lá, Elena na nossa descrição, tem vários papéis sociais: de mãe, de esposa, de chefe, de subordinada e de aluna.
Em cada cenário, ela tem uma posição social, essa posição é o tal “local de fala”.
Com os filhos: Elena tem autoridade de fala, por ser a mãe.
Com o marido: Ela tem a posição de decisão de algumas coisas, de interação, por ser a esposa.
Com os funcionários: Ela tem autoridade de discurso, por ser a chefe.
Com o gerente: Ela sustenta o discurso dele mais do que o dela, por ter hierarquia.
Com os professores: Ela assimila os discursos como verdade sem questionar a veracidade, por ser a aluna.
 
Então, quando falamos em local de fala, falamos da representação de uma determinada pessoa sobre um determinado discurso.
Um exemplo atual: Quando uma mulher se sente agredida física ou moralmente por alguém e ela diz que tal atitude é machismo, isso diz respeito ao local dela na sociedade e dá privilégio a ela diante do discurso sobre machismo apenas por ela ser mulher e sentir, de fato, a consequência do discurso pejorativo ou constrangedor de outra pessoa (lembrando que não necessariamente vindo apenas homens, mulheres também reproduzem machismo).
 
Recapitulando o discurso:
- Sujeito histórico (Analise social das condições do discurso)
- Contextualização (Sem contexto uma frase pode perder completamente o sentido)

- Critério de validade do discurso (De acordo com a posição de fala, com o tipo de linguagem usada e onde se falar (ou não) determinados assuntos).


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