A
diferença entre expressões populares e provérbios (ou ditado popular) está no
conceito: as expressões são palavras ou frases utilizadas no nosso dia a dia,
podem ser regionais, de idade, gênero entre outras situações, perceba o texto abaixo:
Nossa
Senhora, João! Que coisa! Você
sempre fazendo as mesmas besteiras... Não
tenho sangue de barata, não, viu? Da próxima vez, eu vou embora. Ninguém merece!
O
sentido das expressões, marcadas no texto acima, fica claro ao leitor e de
fácil compreensão ao ler o texto e perceber seu sentido no contexto. As expressões não possuem um significado além
do que se diz, ou seja, não possuem um ensinamento ou uma possível reflexão tal como os provérbios ou
ditados populares.
Veja
uns exemplos:
·
Quem não tem cachorro, caça com gato.
·
Quem com ferro fere com ferro será ferido.
·
Nem tudo que reluz é ouro.
Uma
nota sobre isso é que as expressões podem sumir com o tempo já os ditados
(provérbios) permanecem por mais tempo e em mais gerações.
Hoje,
vamos abordar algumas expressões que poderiam ter sido dissolvidas com o tempo,
porém continuam presentes no nosso vocabulário e em constantes conversas. Além
de mostrá-las, o intuito é trazer a análise crítica pelo conteúdo racista
dessas expressões e causar consciência a nós, como cidadãos, promovendo o zelo
pela história dos negros e seus descentes.
1- A dar com pau
O termo em sua historicidade é datado da época da escravidão,
quando os negros eram transportados em navios negreiros. Alguns deles preferiam
morrer a serem escravos e por isso não comiam. Dessa forma os tripulantes
responsáveis pela “mercadoria” colocavam um pau na boca dos reféns africanos
para que a comida, como o angu, entrasse pela boca contra a sua vontade.
2- Meia tigela
Meia tigela era a situação do negro escravizado que não
cumpria o serviço tal como seu proprietário considerasse correto. Por castigo,
os escravos nessa situação recebiam apenas meia tigela do alimento que comeriam
naquele dia.
3- Ter um pé na cozinha
Notamos a expressão ter um pé na cozinha para pessoas que não
são brancas, que tem origem negra, tem os cabelos cacheados ou traços
negróides, dizem ter um “pezinho na cozinha”, já que era o local natural das
escravas domésticas.
4- Cabelo ruim
Cabelo ruim foi naturalizado como cabelo crespo, que são
naturais das pessoas pretas. O conceito fez com que várias empresas europeias e
norte-americanas faturassem milhões no decorrer dos anos para promover um
padrão de beleza europeu, cabelo liso. Além disso, não existe algo que achamos
bonito porque simplesmente é bonito, existem padrões, propagandas, ideias a quem
somos incorporados desde o momento de nosso nascimento. Verbalizar que um cabelo é ruim, é racismo. Fique atento.
5- Mercado, lista, magia, ovelha ... negra
Assim como a inveja branca sinaliza um sentimento que não faz
mal ao outro, todos os itens acima sinalizam algo criminoso, marginalizado,
ruim, não proveitoso. Não pense que não há ligação com o fato da cor preta e
das pessoas pretas nas expressões. A inferiorizarão
pela cor da pele, por anos, tem sido propagada rotineiramente na nossa
sociedade. Tudo que é preto é ruim nessas expressões. Evitem esse tipo de
conduta vocabular.
6- A coisa tá preta
Mais um exemplo da referência preta a alguma situação
desgostosa; algo negativo. A associação a cor preta mais uma vez é facilmente
notada. Não reproduza.
7- Não sou tuas negas
Muito utilizada em situações de desrespeito, quando alguém é
ofendido e utiliza tal expressão como resposta. Por que? Mulheres negras,
escravas e literalmente propriedades de homens brancos eram sujeitadas a
quaisquer tipos de humilhações no decorrer de sua vida. Com profundo respeito a
todas essas mulheres já mortas pelo e durante o regime escravocrata e pelas
suas filhas, netas e bisnetas, diga não a expressões de cunho racista.
Poderíamos
citar dezenas de expressões racistas que são utilizadas até hoje como: amanhã é
dia de branco, isso é serviço de preto, da cor do pecado, denegrir algo ou
alguém, mulata, negra bonita de traços finos, teriam muitas para exemplificar.
Isso só prova a importância histórica que um povo, tão sofrido, passou aqui no
Brasil e além de deixar suas histórias tristes, também nos presenteou com o que
somos e temos hoje. Respeitem.
A todos: Não usem expressões racistas.

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