Pular para o conteúdo principal

Navio Negreiro - Castro Alves

 

Hoje nós vamos falar um pouco sobre Literatura e, também, sobre alguns fragmentos da poesia de Castro Alves, “Navio Negreiro” que está inserida em sua obra chamada “Os Escravos”. Analisaremos a poesia de maneira breve.

Na poesia conseguimos perceber características do Romantismo como a subjetividade, identidade nacional, idealização da natureza, um herói romantizado (os africanos), além também de características como a crítica e a crença na ciência, já tendendo para o realismo. É importante lembrar que as Escolas Literárias são parte da história, não existe uma interrupção de um período literário para outro e sim uma transição com desenvolvimento de ideias e características.

Lembrando que o poema é um gênero textual e representa estrutura em versos e a poesia é a arte de desenvolver pensamentos, sentimentos e mensagens por meio de som, ritmo, métrica, imagens, enfim, significados.

Falando do autor: Antônio Frederico de Castro Alves (1847 – 1871) nasceu em Salvador e fez parte do Romantismo na terceira geração romântica.

A poesia “Navio Negreiro” é dividida em seis partes. Escolheremos algumas estrofes para fazer a análise e deixaremos aqui o link para leitura completa. 

Título: O Navio Negreiro (Tragédia no mar)

  •  O título de maneira bem óbvia fala sobre os chamados navios negreiros que transportavam os africanos para o Brasil pelo oceano. O subtítulo, em parênteses, reforça a ideia das crueldades dentro da embarcação.

Parte I

Fragmento:

Oh! que doce harmonia traz-me a brisa!
Que música suave ao longe soa!
Meu Deus! como é sublime um canto ardente
Pelas vagas sem fim boiando à toa!

  •  Perceba a beleza que o autor sente ao falar dos encantos da natureza, pelo vento, pelo mar, pelos sons das ondas. Conseguimos notar a simpatia e a leveza ao lidar com os aspectos naturais.

Parte II

Fragmento:

Que importa do nauta o berço,
Donde é filho, qual seu lar?
Ama a cadência do verso
Que lhe ensina o velho mar!
Cantai! que a morte é divina!
Resvala o brigue à bolina
Como golfinho veloz.
Presa ao mastro da mezena
Saudosa bandeira acena
As vagas que deixa após.

  •  Aqui nesta parte, o poeta fala sobre a tripulação, sobre os marinheiros que estão no navio. Relata-os como nobres homens que também amam a natureza, inclusive os compara com os golfinhos. A visão de Castro Alves ainda é bonita.

Parte III

Fragmento:

Desce do espaço imenso, ó águia do oceano!
Desce mais ... inda mais... não pode olhar humano
Como o teu mergulhar no brigue voador!
Mas que vejo eu aí... Que quadro d'amarguras!
É canto funeral! ... Que tétricas figuras! ...
Que cena infame e vil... Meu Deus! Meu Deus! Que horror!

  •  Aqui está o momento da percepção do tráfico de africanos para serem escravizados. Olhando o navio por dentro não há mais beleza, só horror. Há sofrimento, desumanidade, lágrimas e tortura. Não há mais suavidade. Os versos começam a ficar tristes, pesados. O canto que há dentro do navio, na verdade, é lamúria e dor.

Parte IV

Fragmento:

E ri-se a orquestra irônica, estridente...
E da ronda fantástica a serpente
Faz doudas espirais ...
Se o velho arqueja, se no chão resvala,
Ouvem-se gritos... o chicote estala.
E voam mais e mais...

  •  Detalhamento do que o povo negro estava sofrendo dentro do navio obrigatoriamente. Gritos, açoites, machucados, choros. Presença do chicote nos versões. Crueldade.

 

Parte V

Fragmento:

Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus,
Se eu deliro... ou se é verdade
Tanto horror perante os céus?!...
Ó mar, por que não apagas
Co'a esponja de tuas vagas
Do teu manto este borrão?
Astros! noites! tempestades!
Rolai das imensidades!
Varrei os mares, tufão! ...

  • A quinta parte é de pura indignação; o poeta questiona Deus do porquê daquela desumanidade bem diante dos céus; clama à natureza uma resposta, uma tempestade, que levassem embora o navio e suas crueldades.

Parte VI

Fragmento:

Auriverde pendão de minha terra,
Que a brisa do Brasil beija e balança,
Estandarte que a luz do sol encerra
E as promessas divinas da esperança...
Tu que, da liberdade após a guerra,
Foste hasteado dos heróis na lança
Antes te houvessem roto na batalha,
Que servires a um povo de mortalha!..

  •  Nesta última parte do poema, fala-se sobre a bandeira brasileira hasteada no navio, devendo representar liberdade e esperança, porém apenas sendo marcada, para sempre, pela escravidão, dor e desumanidade com o povo africano.

 

 Em caso de dúvida ou curiosidade sobre as palavras do texto, acesse o dicionário on-line.

 

 

 


Comentários

Mais lidos pelos Estudimores!

Texto Narrativo

  “Quem conta um conto, aumenta um ponto.” Narrativa Todo ser humano tem o dom de contar uma história. A vida é feita de narrativas longas e curtas que escolhemos ou não compartilhar com outras pessoas. Sendo assim, o tipo de texto Narrativo está no nosso dia a dia, seja pela oralidade, pela escrita e, pelos tempos modernos, na digitação. Esse tipo textual é encontrado em piadas, crônicas, fábulas, conto, novela, romance. Narrar nada mais é do que uma ação onde é exposto um acontecimento ou uma série de fatos, podendo ser reais ou imaginários e, por meio de palavras ou imagens. Os elementos da Narrativa se divide em: o    Quem conta: Narrador o    O que ocorreu: Enredo o    Com quem ocorreu: Personagem o    Como ocorreu: Conflito / Clímax o    Quando/onde ocorreu: tempo / espaço   NARRADOR §   Primeira pessoa (eu / nós) – Quando o narrador é participante. §   Segunda pessoa (Tu / Vocês) – Q...

Literatos

Machado de Assis (1839 – 1908) Alguns críticos literários consideram Machado de Assis o maior nome da literatura nacional, e também, não é para menos! Nascido no Morro do Livramento, no Rio de Janeiro. Estudou em escolas públicas e nunca frequentou Universidade. Sempre dedicado a assimilar culturas. Testemunhou a abolição da escravatura e comentava em jornais e revistas sobre a política da sua época. Foi o primeiro presidente unânime da Academia Brasileira de Letras e introdutor do Realismo no Brasil. Algumas obras : Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba, Dom Casmurro.   José do Patrocínio (1853 – 1905) Vindo de Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro para a capital, José do Patrocínio além de escritor era também, farmacêutico, orador, jornalista e ativista político. Formou a Guarda Negra Redentora, que tinha como participantes negros e ex-escravos, contra o sistema escravocrata. Em 1880, fundou a Sociedade Brasileira Contra a Escravidão. Auxiliou ...

Preposição, advérbio e adjetivo.

PREPOSIÇÃO As preposições estabelecem determinadas relações de sentidos entre as palavras, mas tudo dependerá de um contexto a qual elas estão inseridas. Além disso, ela é uma palavra invariável, ou seja, não modifica. Por exemplo: Falou com João.   (João vira o interlocutor, ou seja, a pessoa com quem está conversando) Falou contra João. (Nesse contexto, foi falado algo que fosse contrário ao João) Falou de João. (João, nesse contexto, virou o assunto) Conseguiram entender como uma simples preposição pode colaborar para mudar o contexto de uma frase? Dessa forma, ela é classificada entre essenciais , que em outros momentos da frase não exercem outra função se não a de preposição e, que são aquelas que são vistas em palavras que necessitam de complemento, por exemplo; e acidentais , que não possuem originalmente a função de preposição, mas que, dependendo do contexto, podem exercê-la.   ESSENCIAIS a ,  ante ,  após ,  até ,...